SUMÁRIO DO PROJECTO

TELEMARA é um projecto direccionado para a consolidação das microempresas que trabalham como empresas subcontratadas para as PME de vestuário como elemento externo da cadeia de produção, proporcionando-lhes uma ferramenta telemática, de fácil utilização, para a gestão e controlo das suas relações laborais. Tipicamente, as PME de vestuário trabalham com 10 a 15 empresas subcontratadas, cada uma empregando 3 ou 4 pessoas - donas de casa e seus familiares do sexo feminino, em mais de 90% dos casos - que produzem acima de 70% da produção total da sua PME central. As principais características destas empresas subcontratadas assentam numa percentagem muito elevada de pessoas do sexo feminino, uma predominância de pessoas autónomas que trabalham em casa ou em microempresas localizadas na sua vizinhança, principalmente trabalho não especializado sem possibilidades de promoção, ainda algum trabalho paralelo, praticamente sem nenhuma aplicação de técnicas de gestão e finalmente, um sistema de comunicação rudimentar entre a empresa central e a empresa subcontratada.

CONTACTOS


Rosa López
Project Manager
AITEX - Asociación de Investigación de la Industria Textil
Plaza Emilio Sala, 1
03801 Alcoy
Spain

Tel.: +34 96 554 2200

Fax: +34 96 554 3494

E-mail:europeos@aitex.es, europeos2@aitex.es

URL:  www.aitex.es/telemara

 

CONSÓRCIO


Nome do Participante

Abreviatura do nome do parceiro

País

Estatuto e papel a desempenhar

Asociación de Investigación de la Industria Textil

AITEX

E

Coordenador

Centro de Investigação da Indústria Têxtil - Catalisador

ALC. Organizació, y Sistemas S.L.

ACTIVA ICON, ICARD

E

Parceiro

Programador do Software - Fornecedor de tecnologia

Compañía Mediterranea de Ediciones de Moda, S.L.

MJN

E

Parceiro

PME da Indústria Têxtil e Vestuário- utilizador final

Centro Tecnológico das Indùstrias Tëxtil e do Vestuário de Portugal

CITEVE

P

Parceiro

Centro de Investigação da Indústria Têxtil - Catalisador

Jobarros Industria de Maldhas, LDA

JOBARROS

P

Parceiro

PME da Indústria Têxtil e Vestuário- utilizador final

S.I..I. 93 Braga-Sociedade de Investimentos Comerciais e Industriais, S.A.

SICI

P

Parceiro

PME da Indústria Têxtil e Vestuário- utilizador final

Innovatext Textile Engineering and Testing Institute Co.

INNOVATEXT

HU

Parceiro

Centro de Investigação da Indústria Têxtil - Catalisador

Kanizsanett Ruházati Kft.

KANIZSANETT Kft.

HU

Parceiro

PME da Indústria Têxtil e Vestuário- utilizador final

 

OBJECTIVOS


OBJECTIVO PRINCIPAL

O objectivo principal do TELEMARA é consolidar as microempresas que trabalham como empresas subcontratadas para as PME de vestuário como parte da cadeia de produção, proporcionando-lhes uma ferramenta telemática profissional, de fácil utilização, para a gestão e controlo das suas relações laborais.

ANTECEDENTES E JUSTIFICAÇÃO

 

A indústria Têxtil e do Vestuário é um sector industrial verdadeiramente europeu. Está em 11º lugar relativamente às despesas de trabalho, e é composto aproximadamente por 114.324 empresas (10% do número de empresas industriais na UE), emprega um valor estimado de 2,329,600 milhões de pessoas nos países de UE (*). É importante mencionar que 90% destas empresas são PME.

Dentro do sector têxtil e vestuário, as empresas de vestuário representam um dos seus sub-sectores mais importantes, em relação ao número de empresas existentes e criação de postos de trabalho, e o seu impacto é ilustrado pelo facto de cada família de UE gastar em média cerca de 3.000 Euros por ano em vestuário (* *).

Tradicionalmente, as PME de vestuário englobam todas as actividades administrativas, comerciais e marketing relacionadas com a sua área de negócio, assim como a actividade de design de produtos principais. No entanto, elas não estão estruturalmente preparadas para abranger todo o processo produtivo, especialmente nas suas áreas de trabalho mais intensivo. Assim, verifica-se uma simbiose muito típica e extensa, em que a parte inicial do processo (corte e entretela) e a final (passagem a ferro, acabamentos, revista e controlo de qualidade, etiquetagem, embalagem), enquanto que os processos intermédios (incorporação de forros, incorporação de botões e acessórios, e costura do produto final - sem ou com acabamentos) é realizado externamente nas empresas subcontratadas.

Inicialmente, as empresas subcontratadas eram efectivamente as próprias casas do pessoal subcontratado, mais especificamente mulheres desempregadas que encontraram nesta actividade uma forma de contribuir para a economia da família e ao mesmo tempo fazer o sua lida de casa diária. Não há muito tempo atrás, vilas inteiras em áreas rurais assim como nos centros industriais das grandes cidades, sustentavam-se recorrendo a este tipo de trabalho, geralmente remunerados abaixo dos preços de mercado, esquecendo-se frequentemente de regalias tais como segurança social e recibos de vencimento formais, etc...

Esta vasta economia paralela contribuiu em alguns países para o "milagre económico" nos anos sessenta e noventa, mas tem vindo gradualmente a ser alterada. Agora, a situação mudou drasticamente e as empresas subcontratadas são, na sua maior parte, grupos legalizados de pessoas autónomas, ou ainda microempresas. Ainda existe, obviamente, uma parte paralela, mas tem vindo a ser alterada gradualmente, graças a uma aplicação consistente das leis de trabalho e também devido a um fortalecimento da consciência social. Porém, certas características estruturais permanecem, e actualmente, as empresas subcontratadas podem ser caracterizadas pelos seguintes itens:

  • Elevada percentagem de representação feminina
  • Predominância de pessoas autónomas que trabalham em casa sob a orientação de microempresas localizadas externamente e que, na maioria dos casos, são localizadas na sua vizinhança.
  • Principalmente trabalho não especializado sem possibilidades de promoção
  • Ainda algum trabalho "paralelo"
  • Praticamente sem aplicação de técnicas de gestão
  • Sistema de comunicação rudimentar entre a empresa central e empresas subcontratadas.

Tipicamente, as PME de vestuário trabalham com 10 a 15 empresas subcontratadas, cada uma emprega 3 ou 4 pessoas - donas de casa e os seus familiares do sexo feminino, em mais de 90% dos casos - que produzem acima de 70% da produção total da sua PME central.

 

OBJECTIVO TÉCNICO

O objectivo técnico do TELEMARA é a substituição do fluxo actual de informação manual entre as PME de vestuário e as suas empresas subcontratadas por um processo automatizado apoiado num sistema telemático. Um servidor de Internet localizado no escritório da PME central, tornará disponível toda a informação e permitirá a sua disseminação às empresas subcontratadas. Cada empresa subcontratada terá um hardware muito simples: um computador pessoal, um modem digital, uma impressora, um leitor de cartão smartcard, e dois cartões smartcards. O software iniciar-se-á automaticamente e será coordenado pelo uso do cartão smartcard gerindo encomendas e outras comunicações através da Internet.

 

OBJECTIVO DO PROCESSO

O objectivo deste sistema é aumentar a produtividade e a qualidade das PME de vestuário melhorando o processo produtivo em dois aspectos principais:

  • Redução do tempo total de produção dos artigos de vestuário.
  • Capacidade para assegurar a qualidade das entregas do material encomendado às subcontratadas

Isto vai conduzir ao aumento da competitividade das PME, e ao aumento do grau de satisfação dos clientes. Ao mesmo tempo, o desempenho das empresas subcontratadas aumentará consideravelmente, e verificar-se-á uma diminuição da taxa de produtos defeituosos, permitindo aos trabalhadores alcançar melhores resultados.

 

OBJECTIVOS SOCIO-ECONÓMICOS

As empresas subcontratadas são, por natureza, voláteis. Com uma força de trabalho, quase sempre instável e com pouca formação, realizaram muito recentemente a transição da economia paralela. O Telemara visa personalizar as empresas subcontratadas e o seu pessoal ( mais de 90% são mulheres, e geralmente membros da mesma família ou vizinhos próximos), e vai formá-los com as capacidades necessárias para a utilização da ferramenta de gestão e comunicação proposta. O fluxo de informação melhorado, o aumento dos lucros e o fortalecimento dos laços entre empresas subcontratadas e a sua PME central estabilizará e permitirá, desta forma, o crescimento destas microempresas criando e consolidando mais postos de trabalho

 

OBJECTIVOS/METAS

Para a medição das metas alcançadas, especialmente na area do melhoramento do processo, o projecto estabelece um conjunto de metas e objectivos de fácil controlo, como demonstra a seguinte tabela:

OBJECTIVOS

METAS

Redução de defeitos e devoluções

40%

Aumento a qualidade do produto

15%

Redução do tempo de produção

20%

Redução dos custos da qualidade

10%

Criação de novos postos de trabalho

10%

 

CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA / OBJECTIVOS das MEDIDAS de APOIO


O TELEMARA foi submetido ao Programa IST Acção II, Novos Métodos de Trabalho e Comércio electrónico, especificamente medida (acção tipo) II, 1.5 Promoting broad adoption of eCommerce and eWork in regional and sectorial settings, como projecto piloto das melhores práticas.

O projecto contribui fortemente para os objectivos e prioridades do programa, medida e acção tipo, descritas no Workprogramme 2000 e posteriormente reforçado na sessão informativa para a linha de acção II 1.5, realizada pela Comissão Europeia em 13 de Setembro de 2000 em Bruxelas.

Finalmente, é importante mencionar o contributo do projecto para os objectivos chave estabelecidos pela recente iniciativa e-Europe adoptada pelos estados membros.

Medida II - Objectivos

Projecto TELEMARA

"...Permitir aos trabalhadores e organizações Europeias o aumento da competitividade, e ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vidas das pessoas no trabalho..."

"... takes into account the different requirements and capabilities of the individual worker and of businesses and organisations, and includes the related training..."

"… explorar as potencialidades Europeias tais como os cartões smart..."

Flexibilidade para seguir as tendências do mercado, especialmente mais significativos no fenómeno da moda, é o factor chave da competitividade e sobrevivência das PME de vestuário. Uma das suas principais ferramentas para alcançar a flexibilidade, mantendo ao mesmo tempo os custos e stocks o mais reduzidos possível, é incluir na sua cadeia de produção empresas subcontratadas, utilizando maioritariamente mulheres não especializadas. A melhor prática do TELEMARA demonstrará como a competitividade pode ser aumentada pela introdução de tecnologias de informação que tornarão mais fáceis e rápidas as actividades das empresas subcontratadas. Por outro lado, ajudará no aumento das capacidades dos trabalhadores através da formação apropriada, ajudará na atracção de novos candidatos a um local de trabalho melhorado e, por último, ajudará a consolidar o estatuto tanto da PME central como das empresas subcontratadas nos seus mercados.

A solução técnica, baseada no estado da arte das tecnologias - sistemas de accionamento do cartão smart apoiadas pela comunicação via internet - é facilmente aplicável devido à sua simplicidade e custo reduzido.

A mesma estrutura de consórcio foi adoptada nos três países: Espanha, Portugal e Hungria: um centro tecnológico de excelência como catalisador, uma PME de vestuário como utilizador (Portugal com duas), cada uma fornecendo 2 ou 3 empresas subcontratadas e apenas um fornecedor de tecnologia, garantindo um desenvolvimento e disseminação homogéneos tanto nos actuais estados membros como nos países candidatos à extensão da U.E (Países da Europa de Leste).

Acção tipo II.1.5 Focos e Prioridades

"… Eficiência nos custos, actividades de grande impacto que servem de catalisador para uma mais extensa disseminação de novas práticas…"

"… Ênfase no direccionamento das necessidades das PME…"

"… Âmbito de implementação , efeito multiplicador e intervenientes chave: vantagens para além dos participantes no projecto, impacto tecnológico, industrial, económico e social, apoiando-se nas normas e políticas Europeias, consórcios de composição e tamanho apropriados…"

"… Ajuda aos países do alargamento na exploração das suas potencialidades e acelerar a sua transição para a economia digital…"

Objectivos da e-Europa

Investimento nas pessoas e suas capacidades:..."trabalho e participação de todos na economia baseada no conhecimento..."

 

INOVAÇÃO


O PROCESSO ACTUAL

Basicamente, o processo geral de produção envolvendo empresas subcontratadas pode ser descrito da seguinte forma:

  • A empresa central recebe uma encomenda
  • O planeamento de produção emite ordens de trabalho às diferentes unidades de produção. Isto implica o conhecimento da capacidade de resposta no momento e da situação das empresas subcontratadas, assim a selecção dos que participam no processo produtivo pode ser realizada e a sua disponibilidade confirmada.
  • O material e acessórios são recolhidos num contentor, e levado para a empresa subcontratada juntamente com as instruções escritas
  • O produto final (apenas sem operações de acabamento) é recolhido nas empresas subcontratadas e levado para a empresa central para controlo de qualidade e operações de acabamento
  • São levadas a cabo tarefas administrativas para aceitação do material realizado, ordens de pagamento, etc.
  • O ponto fraco deste sistema de produção consiste no seguimento correcto do fluxo de informação de forma a cumprir as tarefas solicitadas. Tais instruções são principalmente transmitidas das seguintes formas: tanto verbalmente pelo mensageiro que entrega o material e que raramente tem conhecimento dos requisitos técnicos, ou escritos, e muitas vezes, apressadamente em papel, (ambas as formas não estão normalmente isentas de erros), ou por telefone, onde a susceptibilidade de ocorrência de erros também existe, para além de não se tratar de um meio de comunicação com visualização.

Este problema de comunicação também se verifica no sentido oposto, onde dúvidas/problemas encontrados pelos trabalhadores externos não são directamente resolvidos com o subsequente desperdício de tempo.

As PME também encontram dificuldades no controlo de qualidade dos produtos entregues pelas empresas subcontratadas ou no planeamento da cadeia de produção para assegurar atempadamente a entrega da encomenda aos clientes

 

O PROCESSO INOVADOR

A melhor prática do TELEMARA vai demonstrar o impacto da solução telemática no processo actual, tanto na PME central como nas empresas subcontratadas. Tal solução deverá ter em conta o ambiente de implementação - PME central e microempresas subcontratadas, com 3 ou 4 pessoas (sem conhecimento em computadores), provavelmente trabalhando nas suas casas ou usufruindo de facilidade na alteração de turnos laborais - e deve respeitar certas condições:

  • Simplicidade
  • Uso fácil
  • Robustez
  • Isento de erros
  • Disponibilidade e durabilidade dos componentes
  • Baixos custos
  • Construído em segurança

Tanto os centros tecnológicos como as PME utilizadoras envolvidas no projecto têm um profundo conhecimento do sector de vestuário, e é óbvio para ambos que uma solução telemática para gerir as subcontratadas não foi previamente implementada, de tal modo que procurou-se uma solução genérica de fácil adaptação às necessidades do sector e às condições conhecidas. Experiências, tais como a levada a cabo pelo projecto INFOVILLE (IADS 1008) em Valencia (Espanha), mostraram que a utilização de televisões, apesar de serem aparelhos úteis como transmissores uni-direccionais de informação, a sua interactividade é reduzida. Dispositivos móveis, como telefones WAP, ainda são dispendiosos, e a sua sofisticação não é justificada no ambiente em questão. Além disso, o futuro dos WAP não parece claro, com três gerações móveis no horizonte, e uma solução estável é exigida.

 Tal como em muitas situações/ocasiões, os PC´s convencionais são o melhor dispositivo para o trabalho, o desafio é encontrar um sistema, baseado nos PC´s , mas sem as suas fraquezas principais, especialmente o seu manuseamento pouco amigável e manutenção de software. Esta solução foi encontrada juntamente com a parceria tecnológica do projecto, Activa Icon , estabelecida num dos países parceiros (Espanha), com ligações comerciais e profissionais com outros países Europeus e ansiosos por expandir as suas actividades além fronteiras, o seu cartão smart "I-card" e sistema de administração/gestão será facilmente adaptável ao suporte das operações exigidas pelo TELEMARA.

Esta solução técnica, enquanto completamente inovadora na sua aplicação, não requer, por outro lado, nenhuma actividade de pesquisa com o projecto, sendo um "turn-key" hardware e uma solução básica de software, que funcionará como uma interface amigável ao software actual na gestão e controlo da produção nas empresas. O TELEMARA, sendo um projecto de melhores práticas ,terá as suas actividades técnicas focadas na adaptação às solicitações das empresas para trabalhar tanto na PME central como nos sistemas das empresas subcontratadas, e na adaptação da tecnologia do "I-card" na gestão das solicitações das empresas.

O diagrama da página seguinte ilustra a disposição da solução técnica proposta, bem como as suas operações:

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